e atrás dele, com cada clã
enfileirado atrás de seu líder.
A luz da alvorada, o exército de Lorde Tywin Lannister
desdobrou-se como uma rosa de ferro, com os espinhos a
raiar.
O tio de Tyrion liderava o centro. Sor Kevan erguera seus
estandartes acima da Estrada do Rei. Com aljavas pendendo
dos cintos, os arqueiros apeados dispuseram-se em três longas
linhas, para leste e para oeste da estrada, e ali estavam
calmamente encordoando os arcos. Entre eles, lanceiros
formavam quadrados; atrás estava fileira após fileira de
homens de armas com lanças, espadas e machados. Trezentos
cavalos pesados rodeavam Sor Kevan e os senhores vassalos
Lefford, Lydden e Serrett, com todos os seus subordinados.
A ala direita era toda de cavalaria, cerca de quatro mil
homens, carregados com o peso de suas armaduras. Estavam
ali mais de três quartos dos cavaleiros, agrupados como um
grande punho revestido de aço. Sor Addam Marbrand tinha o
comando. Tyrion viu seu estandarte desenrolar--se quando
seu porta-estandartes o sacudiu: uma árvore ardendo, laranja
e esfumaçado. Atrás dele esvoaçava o unicórnio púrpura de
Sor Flement, o javali malhado de Crakehall, o galo anão dos
Swyft e outros.
O senhor seu pai tomou posição na colina onde dormira. Em
seu redor reunia-se a reserva; uma força enorme, metade
montada, metade a pé, de cinco mil homens. Lorde Tywin
escolhia quase sempre comandar a reserva; ocupava o terreno
elevado e observava o desenrolar da batalha a seus pés,
enviando suas forças quando e para onde eram mais
necessárias.
Mesmo visto de longe, o senhor seu pai era resplandecente. A
armadura de batalha de Tywin Lannister envergonhava a
armadura dourada do filho Jaime, Sua grande capa tinha sido
tecida de incontáveis camadas de pano de ouro, e era tão
pesada que quase não se agitava, mesmo quando ele
avançava, e tão grande que as pregas cobriam a maior parte
do traseiro do garanhão quando se sentava sobre a sela.
Nenhuma braçadeira comum seria suficiente para tanto peso,
e a capa era mantida no lugar por um par idêntico de leoas em
miniatura, acocoradas sobre os ombros, como que em posição
de ataque. O companheiro das leoas, um macho com uma
magnífica juba, reclinava-se no topo do elmo de Lorde Tywin,
com a pata varrendo o ar enquanto rugia. Os três leões eram
trabalhados em ouro, com olhos de rubi. A armadura era de
pesada placa de aço, esmaltada de carmim-escuro; as grevas e
as manoplas tinham decorativos arabescos dourados
embutidos. As ombreiras eram sóis raiados dourados, todas as
suas presilhas eram douradas, e o aço vermelho tinha sido
polido até tal lustre que brilhava como fogo à luz do sol
nascente.
Tyrion conseguia agora ouvir o rufar dos tambores do
inimigo. Recordou-se de Robb Stark como o vira pela última
vez, sentado no cadeirão do pai no Grande Salão de
Winterfell, com uma espada nua brilhando nas mãos.
Recordou-se de como os lobos selvagens tinham saltado sobre
ele vindos das sombras, e de repente voltou a vê-los, rosnando
e abocanhando, com os dentes descobertos na frente do seu
rosto. Traria o rapaz os lobos consigo para a guerra? A idéia o
deixou perturbado.
Os nortenhos deviam estar exaustos depois de sua longa
marcha insone. Tyrion perguntou-se o que o rapaz pensara.
Teria esperado apanhá-los de surpresa durante o sono?
Poucas hipóteses havia de isso acontecer; não importa o que
se dissesse dele, Tywin Lannister não era nenhum tolo.
A vanguarda reunia-se à esquerda. Viu primeiro a bandeira,
três cães negros sobre fundo amarelo. Sor Gregor encontrava-
se por baixo, montado no maior cavalo que Tyrion jamais
vira. Bronn deu-lhe uma olhadela e sorriu.
- Siga sempre um homem grande para a batalha. Tyrion
respondeu com um olhar duro.
- E por quê?
- Fazem uns alvos magníficos. Aquele vai atrair os olhares de
todos os arqueiros presentes no campo.
Rindo, Tyrion olhou a Montanha com novos olhos.
- Confesso que não o tinha visto a essa luz.
Clegane não possuía esplendor algum; sua armadura era de
placa de aço de um cinza baço, marcada pelo uso duro, e não
exibia nem símbolos nem ornamentos. Indicava aos homens
as suas posições com a arma, uma espada longa de duas mãos
que Sor Gregor brandia como um homem menor poderia
brandir um punhal.
- Eu mesmo matarei qualquer homem que fuja - ele estava
rugindo quando viu Tyrion. -Duende! Para a esquerda.
Mantenha o rio. Se for capaz.
A esquerda da esquerda. Para flanqueá-los, os Stark
precisariam de cavalos capazes de correr sobre a água. Tyrion
levou seus homens para a margem do rio.
- Olhem - gritou, apontando com o machado. - O rio - uma
camada de névoa pálida ainda aderia à superfície da água,
com a corrente verde-escura rodopiando por baixo. Os baixios
eram lamacentos e afogados em juncos. - Aquele rio é nosso.
Aconteça o que acontecer, mantenham-se perto da água. Não
a percam nunca de vista. Impeçam o inimigo de se interpor
entre nós e o nosso rio. Se eles conspurcarem nossas águas,
arranquem seus membros e alimentem os peixes com eles.
Shagga tinha um machado em cada m